O conceito de agilidade no gerenciamento ágil de projetos

Por: Edivandro Carlos Conforto, M.Sc.

Em nosso artigo de lançamento da seção “Tendências em Gerenciamento de Projetos” em abril de 2010 publicamos um texto com o título: “Na busca por uma definição para o termo Gerenciamento Ágil de Projetos”. Nesse texto iniciamos uma discussão sobre o uso do termo “agilidade” muito característico do próprio nome dessa teoria. Desde então a inquietação em relação ao uso desse termo, para descrever determinadas práticas de gerenciamento de projetos, tem se tornado cada vez mais latente. No mesmo sentido, a teoria e prática do gerenciamento ágil de projetos (APM) tem sido difundida e utilizada pelas empresas, não somente da área de desenvolvimento de software. É crescente o número de empresas de diferentes setores da economia que buscam novos modelos de gestão para atender suas necessidades, principalmente aquelas que estão inseridas em um contexto dinâmico, competitivo, que requer o lançamento de novos produtos e serviços cada vez mais rápido, na busca incessante pela vantagem competitiva por meio da inovação constante.

 

Surge então uma miríade de “novos” métodos, ferramentas, e mais teoria. Se realizarmos uma simples busca com o termo “Gerenciamento Ágil de Projetos”, utilizando o buscador mais tradicional, serão mais de 270 mil resultados. Se utilizarmos o termo em inglês “Agile Project Management” esse número quase dobra, mais de 570 mil resultados são encontrados. Causa espanto o crescimento e expansão de conteúdo sobre essa teoria. Se nossa medida for baseada na quantidade de softwares, desenvolvidos com a finalidade de apoiar o gerenciamento ágil de projetos, podemos encontrar facilmente dezenas deles.

Embora a disseminação do termo seja uma constante, muitas questões surgem na mesma proporção. Quase que instantaneamente, quando ouvimos o termo “Gerenciamento Ágil de Projetos” logo imaginamos ganhos em agilidade, menor tempo, custos reduzidos, rapidez no lançamento de novos produtos, melhores resultados para o negócio e para nossos clientes. São muitas as variáveis e nem sempre estão claro como serão computados os ganhos e de que forma eles poderão impactar nos resultados do gerenciamento de projetos de uma organização. Mas, será que sabemos realmente o que há por traz desse conceito? Quais os benefícios do conceito de agilidade para o gerenciamento de projetos? Será que o uso dessa teoria, modelos, práticas, técnicas e ferramentas conferem agilidade, no seu sentido mais original? O que poucos sabem é que o termo “agilidade” não surgiu com a teoria de gerenciamento ágil de projetos (conforme já discutido no artigo do mês de abril/2010 -http://www.pmisp.org.br/enews/edicao1004/tendencias.asp) e reforçado no estudo de Eder et al. (2010). Muito antes do surgimento do manifesto para desenvolvimento ágil de software, pesquisadores e praticantes de outras áreas já utilizavam este termo. Essa evidência tem sido confirmada com o aprofundamento dos estudos na área.

Estudos indicam que o surgimento desse termo deu-se em 1991, graças a um conjunto de pesquisadores do Instituto Iacocca da Universidade de Lehigh (YUSUF et al., 1999). Desconsiderando a hipótese de que o conceito de agilidade possa ser mais antigo ainda, desde 1991 sua evolução alcançou outras áreas. Primeiro na manufatura, depois no nível estratégico e organizacional, até ser difundido na área de gerenciamento de projetos (GP) a partir de 2001.

Considerando essas evidências os autores do artigo “Estudo exploratório do conceito de agilidade: modelo teórico para aplicação no gerenciamento ágil de projetos” realizaram uma revisão bibliográfica com base em um conjunto primário de textos sobre agilidade de áreas como gerenciamento ágil de projetos e manufatura. Em seguida, foi realizada uma compilação das definições do termo “agilidade” possibilitando uma análise de conteúdo das definições. Os resultados da análise serviram como alicerce para propor um modelo teórico de agilidade com foco no gerenciamento de projetos.

O modelo teórico apresentado pelos autores possui basicamente duas dimensões: flexibilidade e velocidade. O argumento está embasado na seguinte hipótese: para se conseguir maiores níveis de agilidade é preciso desenvolver flexibilidade e maior velocidade nas práticas de gerenciamento de projetos. Nesse contexto uma prática inclui o uso de uma ou mais técnicas ou ferramentas para sua execução (PMBOK®, 2008). O artigo também oferece uma primeira proposta para a definição do termo agilidade: “é a habilidade de se adquirir velocidade e flexibilidade no gerenciamento de projetos por meio da adoção de práticas de gestão adequadas ao ambiente e tipo de projeto”(EDER et al., 2010).

É importante ressaltar que a proposta dos autores é apenas o primeiro passo. É importante cumprir uma etapa investigativa exaustiva sobre a teoria que cerca o conceito de agilidade, para então melhor descrever o modelo conceitual que poderá ser utilizado e aplicado na melhoria do processo de gerenciamento de projetos nas organizações. É preciso ainda, compreender as dimensões da agilidade em sua totalidade e qual sua real contribuição para o gerenciamento de projetos considerando diferentes tipos de projetos e ambientes de negócio. Segundo, é importante investigar quais são os fatores internos e externos ao projeto e da organização que possam influenciar no nível de agilidade. Os autores propõe o uso do termo “fatores intervenientes”.

Uma hipótese identificada durante o estudo levanta a seguinte questão: será que o simples fato da empresa, ou equipe de um determinado projeto, utilizar práticas da teoria de gerenciamento ágil lhe confere ganhos reais em agilidade? A resposta não é simples. Considerando a definição proposta é importante desenvolver ferramentas e modelos para medir o nível de agilidade de um processo de gerenciamento de projetos. Estudos mais recentes conduzidos pelos autores do artigo analisado indicam que o conceito de agilidade poderá ser complementado com outros componentes, não somente as dimensões “flexibilidade” e “velocidade”. Mais ainda, poderá existir um desdobramento dessas dimensões chegando ao nível de práticas, técnicas e ferramentas que podem contribuir para aumentar o nível de agilidade de um determinado processo de gerenciamento de projetos. Não resta dúvida de que outros estudos são necessários, especialmente estudos de campo em situações reais de empresas que possuem um processo de GP desenvolvido e implementado, e deseja alcançar melhor desempenho.

É importante ressaltar as limitações do estudo apresentado no artigo de Eder et al., (2010). Contudo, os autores apresentam evidencias relevantes sobre a origem do conceito de agilidade. Outro ponto de destaque é a necessidade de desenvolver uma ferramenta capaz de mensurar os ganhos em agilidade nas empresas que adotam uma metodologia de gerenciamento de projetos, seja ela baseada na teoria ágil, ou tradicional. Não basta apenas fazer uso de métodos qualitativos para mensurar os ganhos em agilidade. É necessário utilizar medidas quantitativas e objetivas, utilizando, por exemplo, dados de tempo e custo, dentre outros.

Por fim, sugerimos que o leitor veja o artigo na íntegra. Apesar da sua característica teórica o artigo pode fomentar discussões sobre o assunto, e mais, contribuir para que as empresas que empregam metodologias ágeis reflitam sobre a necessidade de mensurar os ganhos obtidos em agilidade, bem como seu impacto nos resultados do projeto, valor para o cliente e para o negócio.

Empresas interessadas em conhecer mais detalhes sobre a pesquisa na área de gerenciamento ágil de projetos podem entrar em contato pelo email: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Forte abraço à todos,

Edivandro C. Conforto
Pesquisador em Gerenciamento Ágil de Projetos
Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção
Escola de Engenharia de São Carlos – Universidade de São Paulo

NOTA: para ter acesso ao artigo na íntegra siga os passos abaixo.
1. Acesse o site: http://www.simpep.feb.unesp.br/anais.php 
2. Clique no link: Anais XVII (2010)
3. Digite no campo “Titulo” uma parte do titulo do artigo. Ex.: “Estudo exploratório do conceito de agilidade”. Em seguida clique em “pesquisar”
4. O resultado é o artigo 1082. Clique em “Download”. Em seguida salve o arquivo em seu computador.

Referencias:

EDER, S.; CONFORTO, E. C.; OLIVEIRA, M. G.; AMARAL, D. C.; SILVA, S. L. Estudo exploratório do conceito de agilidade: modelo teórico para aplicação no gerenciamento ágil de projetos. In: XVIII SIMPÓSIO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, 2010, Bauru. Anais do XVIII Simpósio de Engenharia de Produção. Bauru-SP: XVIII  SIMPEP 2010 p.1-14.

PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. PMBOK Guide. A Guide to the Project Management Body of Knowledge. Pennsylvania: Project Management Institute, 4ed., 2008.

YUSUF, Y., SARHADI, M. e GUNASEKARAN, A. Agile manufacturing: the drivers, concepts and attributes. International Journal of Production Economics, v.62, n.1-2, p.33-43, 1999.

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